E o Natal quase aí...
Já não falta muito para o Natal. Dentro de 2 meses as ruas estarão iluminadas, o frio dominará o ambiente urbano, o vapor da respiração acompanhar-nos-á durante o nosso caminho...
Dentro de 2 meses, as familías irão buscar os pinheiros para enfeitar, na sala, na entrada, quiçá na zona de jantar, as caixas serão novamente abertas, as fitas, as bolas, os sinos e as estrelas coloridas sairão para ocupar novamente o seu lugar nos ramos. Adultos comovem-se, crianças deliram e... Caras de Tacho??
Caras de Tacho alucinam. Eles não se comovem com o Menino Jesus. Os seus olhos não brilham perante a magia do Natal. Não passeiam ansiosos à roda das prendas à descoberta do seu nome escrito...
Não...
Caras de Tacho são como... The Grinch?
Aqui em casa o menino Jesus, Maria e José não podem sair da sua manjedoura. A última vez que o fizeram, o menino Jesus acabou resgatado das areias do Deserto (leia-se caixote de areia...).
Os seus olhos brilham maliciosamente quando planeiam o que fazer a cada centímetro de fita colorida que rodeia o pinheiro.
As bolas têm técnica própria para sair. Deitando-se no chão, comprime-se um ramo contra a barriga com uma pata enquanto a outra faz deslizar suavemente a inocente bolinha até à beira do ramo. Larga-se o ramo sob pressão, a bola sai disparada qual máquina de ténis e eis que se vê passar um bicho peludo em alucínio pelos ares!!! Ou 2, conforme o espírito de equipa próprio da época...
Mas a cereja em cima do bolo, o crème de la crème, o toque final na campanha anti- Pai Natal e Renas, são... as prendas!
As fitas há muito que foram banidas. O papel bonito, caro e lustroso também. Os embrulhos perfeitos fazem parte de um passado remoto. Prendas coloridas de roda do pinheiro não é um quadro comum em casas com Caras de Tacho... Não...
O quadro comum é ofertas às 00:00 com sorrisos embaraçados, de algo semelhante a um embrulho (quando olhado com uma certa dose de imaginação...), com claro enriquecimento de empresas tipo 3M ou TESA, sem fitas e com rastos de algo mastigado pelo objecto...
O quadro comum é sorrisos horrorizados, a pensar se lhe pegarão com as mãos ou as tenazes da lareira, aquela prenda tão querida e tão desejada outrora, agora apenas parecida vagamente com os restos do jantar no balde do lixo...
Ironicamente, as únicas prendas que se safam incólumes debaixo do Pinheiro são as que cujas etiquetas referem os nomes de "Gizmo e Cesa Sardanisca, com amor, dos Papás"...
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